




O Ministério da Justiça já possui os documentos de pesquisa antropológica feita pela Fundação Nacional do Índio (Funai) que comprova que a área do município de Aracruz no Espírito Santo, ocupada pela multinacional Aracruz Celulose, sempre pertenceram aos índios Tupinikim e Guarani.
Não satisfeito com o seu poder de persuasão, através de promessas de emprego em troca da compra das terras a preço de bananas vendidas pelos índios, a multinacional ofereceu hospedagem para a Polícia Federal na retirada dos índios da fazenda.
Se por um lado a Aracruz alega através dos números de árvores derrubadas na ocupação feita pelos índios na fazenda, do outro, existe por parte da multinacional uma omissão quando o assunto é a degradação das condições ambientais e culturais.
Vale lembrar que antes do descobrimento e da colonização do Brasil, os índios já conheciam o milho, a canjica, o palmito, o guaraná, a farinha, além de saberem fazer arte com cerâmica.
A cultura indígena foi modificada pelas mãos dos portugueses, os quais destruíram em prol do progresso e da ambição. Nada contra os portugueses, mas não houve colonização e sim extinção, já que toda a cultura indígena foi alterada e ditada pelas leis dos portugueses, começando pela religião ensinada pelos jesuítas, através do ensino da catequese.
A Aracruz Celulose é um exemplo na comprovação da existência do desrespeito contra a cultura e o ambiente do país, bem que o digam os índios e os ambientalistas.
A Aracruz Celulose, além de líder na produção de celulose branqueada em eucalipto, também ocupa o posto no estímulo à destruição das matas e florestas, já que estudos ambientais comprovam que a monocultura de eucalipto causa transformações maléficas ao ambiente.
A multinacional persiste em dobrar o estrago cultural e ecológico com o patrocínio dos poderosos, já que recebeu uma autorização do Poder Público Estadual para aumentar o seu plantiu. Essa atitude além de contrariar os ambientalistas, também vetou a lei 252/01 que propôs a realização do zoneamento agrícola e ambiental no Estado que visava saber o que poderia, ou não ser empregado na produção do eucalipto.
Não é de estranhar que a multinacional não se importe em conservar e desenvolver meios para preservar a natureza, muito menos a cultura indígena.
A Aracruz se opõe a demarcação argumentando que não basta nascer de um índio para fazer parte da etnia indígena. Isso leva a crer que na visão da multinacional, ser índio é o individuo que mora numa oca, sem energia elétrica, isento do direito de se comunicar e divulgar sua cultura como qualquer outro cidadão comum através da internet. Além disso, deve viver dos restos dos rios que a plantação de eucalipto da Aracruz ajuda a poluir e secar.
Essa visão multinacional não entende que no Código Civil de 1916, o índio era tratado como absolutamente incapaz. O que foi modificado no nove Código Civil de 2002 que resolveu retirar a matéria do mesmo deixando-o ser regulada por lei especifica.
Qualquer cidadão comum que possui uma cultura, seja ela qual for e ama seus filhos, deve desejar ao menos ter o direito de paz, justiça e o ar limpo.
Os índios e a natureza do Brasil precisam ser respeitados! O patrocínio e a ameaça contra etnias e o meio ambiente devem ser repudiado pelos brasileiros, já que o país é rico em miscigenação e diversidade cultural, além de possuir a maior diversidade ambiental do mundo.