Marisol.Imprensa

agosto 29, 2007

De Porta em Porta

Filed under: Dia a Dia — marisolimprensa @ 12:25 am

O vendedor de livros foi trocado pela internet que permite através de leituras resumidas a praticidade da obtenção da busca pela informação. 

Se tivesse que escolher um bom vendedor de livros, seu Agnaldo Dias não hesitaria em escolher ele mesmo. Ainda hoje mantém um olhar brilhante ao afirmar que é bom de lábia desde a época que vendia jornais, como o já extinto Jornal da Bahia.

As portas se abriam com facilidade, pois os fregueses compradores de enciclopédias e dicionários, além de oferecerem acomodação no sofá para a realização da negociação forneciam sucos durante a exposição dos catálogos que o vendedor rotinamente carregava durante todo o dia.

Ao contrário da agilidade oferecida pelos cartões de crédito durante a compra, os vendedores de livros vendiam por meio de promissórias. Além disso, o Show room era feito através da  exposição de catálogos. “A primeira promissória, além de garantir a compra do produto, também permitia a retirada de uma parte da comissão”, revela seu gnaldo que admite o alcance de 300% a margem de lucro sobre a venda de livros.

“O povão era quem mais comprava, pois era difícil entrar nas mansões por conta dos muros que dificultavam a identificação, mas por conta da violência as pessoas começaram a fechar suas portas”, afirma Agnaldo.

Mesmo assim, o vendedor de livros, atualmente consultor de plano de saúde não hesita em afirmar que a internet é a grande culpada da extinção dos vendedores de livros nas residências.

Agnaldo além de ser modesto ao se considerar um bom vendedor, também atribuí o recebimento de uma bolsa de estudo fora do Brasil oferecida pelo governo federal, à filha com idade de 17 anos, por ter estimulado a mesma, a prática pela leitura. Mas revela que impediu a viagem devido aos homicídios ocorridos com brasileiros em outros países.

 Escassez da Leitura 

Além da escassez dos vendedores de livros, cujo dia comemorado em 14 de março, o habito pela leitura despencou nos últimos anos. De acordo com o Programa Internacional de Avaliação dos Alunos, 80% dos brasileiros são considerados analfabetos funcionais, ou seja, os leitores brasileiros aprendem a decifrar as letras, mas não interpretam a mensagem.

Mesmo assim, ainda existem pessoas como o sebista João Brandão, 66 anos, há 51 trabalha em um sebo, que revela ser um apaixonado pela leitura e não se arrepende de ter abandonado o ar puro da  agricultura para conviver com o cheiro do sebo.

O sebista diz ser o modernismo, o responsável pela  redução da leitura. “As informações é oferecida às pressas, ao contrário dos tempos atrás, em que o conhecimento era prezado por todos, as pessoas consideradas intelectuais tinha o hábito de carregar livros em reuniões e encontros”, analisa João. 

Também salienta que o imediatismo está contaminando as escolas, devido aos jovens lerem grandes romances de maneira resumida, através dos resumos oferecidos pela  internet.

“Os tempos mudaram, o reflexo da modernidade está explicito no comportamento humano que despreza o conhecimento e ignora o amor,” desabafa seu João com as sobrancelhas levantadas.

A advogada Alzira Santos confessa encontrar prazer na leitura e na poesia desde sua infância em que aprendeu com seu pai a recitar versos de grandes poetas aos visitantes que apareciam em sua residência.

Apesar de existirem poucos amantes da leitura, há quem odeie a mesma, a exemplo do Sidnei Oliveira, formado em administração de empresas, admite não possuir aptidão pela prática , “Não suporto ler, não tenho paciência”, diz Oliveira, mas frisa que costuma ler as páginas de lazer dos jornais ,mas prefere  sites .

Já o Sebastião Ambrózio,l 50 anos, ex-garimpeiro, embora não goste de ler, admite ser necessário, mesmo assim mantém o hábito de ler emprol do desenvolvimento profissional.Ambrózio destaca sua admiração pelo tio Valdete, que apesar de não ter completado o curso de ginásio mantinha diálogo influente com advogados, além de ter boa lábia devido ter feito da leitura seu hobby .

 Sebo 

Contrariando a tese dos pesquisadores sobre a origem do sebo que se dava por causa do derretimento das velas, o sebista Eurico Brandão, 77 anos, há 55 trabalha no sebo, defende sua própria tese científica, de que o sebo era resultado do uso dos livros. “Antigamente os jovens e padres carregavam diuturnamente os livros, já que não existia mochilas, além disso quem carregava livros tinha fama de intelectual. “ Por esse motivo o suor, a gordura e o sal deixavam as marcas dos polegares no livro”, afirma Eurico.    

Para Eurico os livros novos dependem dos antigos, daí  a importância do sebo. Além de se considerar sebista, ele também acredita ser um “caga-cego”, denominação original que se dava aos vendedores de livros usados nos séculos passados.

“O homem se faz por si mesmo. Não entrei numa Universidade, mas me considero um cientista”, considera Eurico que não se considera um vendedor de livros usados, mas um trocador de conhecimento.           

                     

   

                          

   

                  

                     

                                                

 

        

 

             

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